Gilberto Dimenstein narra, em primeira pessoa, historias de pessoas quase invisíveis. Isso em seu livro O mistério das bolas de gude. As pessoas de quem ele fala são muitas vezes totalmente ignoradas pela sociedade.
Em uma obra fascinante o autor leva você da cracolândia, em São Paulo, até o Harlem, em Nova York. Em suma, contando fatos autênticos de quem passa despercebido pela sociedade. São eles os meninos de rua. Bem como as prostituas, os viciados. Além de trazer casos de violência policial, assim como de pessoas com HIV positivos. E esses são apenas alguns dos protagonistas de histórias assustadoramente reais.
A narrativa te leva a pensar sobre o mundo em que vivemos. O livro que é tanto um diário pessoal quanto uma investigação jornalística, mostra também projetos sociais que deram certos. Da mesma forma que os voluntários que dedicam as vidas por uma causa e as comunidades que resistem da forma que conseguem.
Em relatos muito vividos, o autor nos leva em uma viagem, que é incrível, pela invisibilidade. Em resumo, também nos mostra os problemas que isso causa entre aqueles que são julgados e deixados de lado pelo resto do mundo.
Utilizando os relatos de pessoas reais e apresentando estatísticas assustadoras, Gilberto Dimenstein nos leva a enxergar uma realidade muito ruim no Brasil. Ao mesmo tempo em que mostra que é possível melhorar. Ele faz isso, em suma, nos mostrando que tem muitos projetos pelo mundo – em especial os de Nova York onde morou – que conseguiram mudar os números da violência que estão diretamente ligados à invisibilidade.
Os personagens invisíveis são os protagonistas dos livros, por tanto é bom saber que esse livro causa muitas emoções. Uma obra incrível para todos aqueles que querem fazer uma reflexão sobre o que é ser deixado de lado pelo mundo. E para quem tem a vontade de aprender um pouco sobre a dor do outro. Pela leitura dos relatos se percebe a importância de se por no lugar do outro. Por isso, recomendo a todos que, após esses tempos difíceis que temos passado, sente que pode ter esquecido um pouco a importância de praticar a empatia.
