Não sei se já ficou claro, mas eu adoro os animes do Studio Ghibli, principalemente aqueles dirigidos pelo nosso querido Hayao Miyazaki, então quando a notícia de que eles iriam produzir um novo anime saiu, agora em 3D, eu fiquei bem animada para ver o resultado. A verdade é que eu demorei um tempão para conseguir assistir ao filme, só quando ele foi incluso no catálogo da Netflix que o fiz, mas depois disso não sei bem se a minha animação foi correspondida.
O anime foi dirigido por Goro Miyazaki, filho de Hayao Miyazaki – e quando um filho segue a mesma carreira do pai, é claro que esperamos que ele siga o legado da família e se criam mil expectativas sobre o seu trabalho, mas não posso dizer que tenha seu próprio toque e nem que tenha conseguido suceder em sua tentativa de trazer um novo hit para o estúdio.

A história até pode ser interessante e, por ser adaptada do livro “Tesourinha e a Bruxa” de Diana Wynne Jones (autora de “O Castelo Animado”), trazia uma certa expectativa de dar continuidade ao estilo Ghibli de trazer histórias mágicas e incríveis para o público.
O filme começa quando uma bruxa que está sendo perseguida pelas “doze bruxas” leva um bebê até o orfanato e a abandona lá. A menina, chamada Aya, cresce no lugar sendo muito amada e mimada por todos, o que a leva a não querer ser adotada e viver o resto da vida ali. Mas para contrariar a sua vontade, um “casal” esquisitão a adota e a leva para uma casa não muito longe dali. Bella Yaga e o Mandrake são dois bruxos que têm a intenção de usar a menina como assistente deles, mas Aya planeja fazer com os dois a obedeçam e mimem tanto quanto as pessoas no orfanato, tornando a sua vida mais fácil.
Acontece que Bella Yaga empurra muitos afazeres à menina, que reclama de estar sendo escravizada ao invés de ser uma mera assistente e aprendiz de bruxa e por isso ela usa a ajuda do gato Thomas para se vingar e controlar a bruxa.
Depois de certo ponto (digamos que bem no final do filme) os dois acabam cedendo aos encantos de Aya e a menina passa a acreditar que viver com os dois é ainda melhor do que viver no orfanato, mas não temos um bom desenvolvimento quanto à relação deles e só conseguimos ver o lado bondoso do Mandrake brevemente, o que nos priva de criar um vínculo maior com o personagem.
Acredito que o filme poderia ser mais longo para desenvolver melhor a relação dos personagens e se aprofundar em suas motivações e personalidades, porque quando o anime acaba temos a sensação de algo está faltando e final não traz uma conclusão à história, mas sim abre mil questões e a necessidade de uma continuação.
Não há muito o que se dizer sobre o anime senão que ele não supre nenhuma das nossas expectativas quanto a um filme do Studio Ghibli e não nos anima nem um pouco em procurar o livro do qual foi adaptado para a leitura. Como um todo ele é bem decepcionante e, quando começa a ficar melhor, acaba. E é por isso que muita gente prefere ignorar o fato do anime existir e nem passa perto de assisti-lo novamente.
Mas se mesmo depois de tudo isso você quiser assistir ao anime, saiba que pode encontrá-lo no catálogo da Netflix
