Nossa dica do dia é o livro O Primeiro Beijo de Romeu do autor, jornalista e dramaturgo brasileiro Felipe Cabral. O livro foi lançado no ano passado e é uma jornada incrível de resistência contra a LGBTFOBIA. A história conta com personagens incríveis, tudo se passa em um evento real e inacreditável que aconteceu no Rio de Janeiro: a censura de um beijo gay em uma HQ de super-heróis.
Eu me lembro de ver as primeiras noticias chocantes daquele fatídico dia em 2019 que parece já ter sido há 20 anos. Era apenas um dia qualquer, com a bienal no Rio sendo o assunto do momento afinal como não poderia? Quando um prefeito retrógado e cristão, que insisti em misturar religião com politicas em um país que deveria ser laico, decide censurar o beijo entre dois personagens da Marvel.
Na época, muitos nomes repudiaram os atos horrendos dignos da ditadura militar que achávamos ter deixado para trás. Felipe Cabral é um dos nomes que decidiu agir contra aquele ato de ódio feito por uma figura pública. Figura está que ao invés de cuidar dos diversos problemas reais de sua cidade decidiu usar um método tão cruel como uma fumaça de cortina para o que ele realmente deveria estar fazendo para melhorar a vida de sua população.
Do ato de repúdio desse evento que marcou o Brasil surge a inspiração para esse livro que é muito mais que uma história é um ato de resistência. Ser LGBT no mundo atual não é fácil, por vezes parecemos estar regredindo mais do que avançando. Mas ler este livro ajudou a me lembrar de que nós já avançamos demais e não podemos desanimar. Quando a maioria diz que você não deveria existir, que sua vida é um pecado ou ato do demônio é nosso dever mostrar que nós temos sim o direito de existir. Resistir não é fácil, quando atos como este que inspiram esta obra, da qual falarei em seguida, acontecem é difícil ver o lado bom das coisas.

O Primeiro Beijo de Romeu me ajudou a lembrar de como nossa sociedade já fez muitos avanços e devemos comemorar, assim como nos inspirar naqueles que lutaram por todos que não se encaixam no padrão. Romeu é um adolescente negro que foi adotado por um casal muito legal chamado Valentim e Samuel. Quando este jovem vai dar o primeiro beijo de sua vida, com seu melhor amigo que acabou de se assumir para si, sua vida é virada de cabeça para baixo quando um garoto de sua escola o flagra e o tira do armário na biblioteca da escola.
O beijo que nem chegou a ser beijo é só o pontapé inicial dos problemas de nosso protagonista, ele estava quase começando um romance com seu amigo Aquiles quando Guga acaba com sua experiência. Como se não bastasse, após ouvir ofensas horríveis do bully e ser suspenso por socar ele, Romeu descobre que o prefeito censurou o livro de seu pai.
Valentim, chamado também de Tim, é o pai de nosso herói e narra metade da história. Ele é um autor que já teve narrativas de sucesso, agora seu novo livro traz um personagem mais pessoal. Em sua mais nova obra ele conta a história de Walter, que é LGBT, e tem uma ilustração de beijo. Por conta do desenho inocente, o prefeito decide censurar sua obra por estar “defendendo a família da influência homossexual”.
Pai e filho chegam à bienal do livro com os nervos a flor da pele, sem saber o rumo que as coisas irão tomar. Acompanhados de Samuel que é advogado e vai fazer tudo que pode para seu marido lançar sua história, esta família nos leva em uma aventura imperdível.
Cabral sabe muito mais do que contar uma história, nos levar em uma viagem a história da comunidade LGBTQ+ no país e no mundo. Com as diversas referências, que não poderiam faltar quando o autor é um jornalista, O Primeiro Beijo do Romeu é uma leitura leve e poderosa. Boa parte da história se passa na bienal do livro, onde tudo acontece, e sinceramente a leitura é tão dinâmica e viciante que você termina sem perceber. Não deixem de apreciar a obra deste autor brasileiro que nos lembra de como é importante ter orgulho de quem se é e de onde se chegou.
