MÚSICA DA SEMANA: CONSTRUÇÃO

Hoje eu decidi dar uma de “metida à besta” e escolher uma canção mais do cult, mais do aclamada e mais do que importante para a Música Brasileira. Ela que foi eleita a melhor canção brasileira de todos os tempos pela revista Rolling Stones Brasil, a música do ilustríssimo Chico Buarque, ainda pode ser usada como retrato desta sociedade que despreza o trabalhador e seu valor. Em tempos que a luta por mais um dia de descanso e condições melhores de trabalho, em que as vagas para quem tem formação universitária oferecem salários mais próximos de um salário mínimo ao invés de valorizar a educação, e cada vez mais vemos pessoas sofrendo de burnout por conta das rotinas e escalas de trabalho exaustivas; relembrar a letra desta música é quase uma clemência.

“Construção” traz uma narrativa sobre a vida e a morte de um trabalhador. Quase uma crônica, como descrito pela revista, a canção se formata em “rimas esdrúxulas” se baseando na explosão da construção civil na época para construir sua narrativa. Operários eram tratados como peça de reposição, mal pagos e com uma jornada de trabalho que se estendia por inúmeras horas extras, afim de garantir o suficiente para poder consumir os bens que eram anunciados na TV. Acidentes de trabalho aconteciam aqui e ali, quase não gerando espanto pelo número de vezes que ocorriam, mas foi isso que Chico Buarque quis criticar em sua letra. Expor o sistema, que era favorecido pelo Governo, e mantinha as condições do trabalhador o mais deploráveis possível.

A música faz parte do disco de mesmo título, lançado pelo artista em 1971.

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

Construção – Chico Buarque

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