O Conto da Aia: Livro e Série!

Hoje vamos falar dessa obra que está, infelizmente, mais atual do que nunca. O Conto da Aia ou The Handmaid’s Tale no original é originalmente um livro criado pela autora canadense Margaret Atwood em 1985. Depois ele foi adaptado para um filme, uma opera, e finalmente a obra pelo qual é mais conhecido, a série criada por Bruce Miller em 2016.

Ambas as histórias se passam em um mundo distópico no que antes era o Estados Unidos, agora chamado de República de Gilead, um grupo religioso deu um golpe e agora a constituição não existe mais. Em seu lugar, um grupo religioso extremista criou regras doentias utilizando uma interpretação distorcida do Antigo Testamento, devido a isso, entre outras mudanças radicais os direitos das mulheres não existem mais.

Agora, as mulheres não têm mais direito algum e a reprodução é controlada pelo governo, nesse universo tem as “Aias”, mulheres que são usadas apenas para reprodução, designadas as famílias de elite, elas são forçadas a ter relações com seus “Comandantes” enquanto as esposas desses os assistem.

Se torna uma “Aia” toda mulher que tenha cometido algo que esse grupo ultrarreligioso considere um pecado, nossa protagonista é a Offred, nome que recebeu depois de Gilead ser instaurada, ela foi pega tentando fugir com seu marido e filha, com quem se reunir novamente, e considerada pecadora por seu marido ser divorciado.

As principais diferenças do livro e da série é que o livro é uma história curta sobre Offred, que se concentra mais em mostrar esse mundo “puritano”, de fazer uma análise social da religião misturada com política, e fazer essa ficção que nos faz refletir muito sobre a vida real, e o conservadorismo que tem avançado assustadoramente rápido ao redor do mundo.

Offred nessa história é uma ferramenta para nos fazer refletir, seu fim no livro fica aberto para interpretações, com um pequeno epilogo se concentrando muito no futuro em que se especula seu fim. Além do original, temos também The Testaments é uma sequência do romance trágico original, nela três mulheres têm trechos de suas histórias contadas. E ele segue a mesma formula, mas com três histórias diferentes, que nos mostram um quadro geral ainda mais completo.

A série pegou essa ideia, a abraçou, e a desenvolveu, nela Offred é o foco que nos faz perceber que é muito fácil de ver pessoas do nosso mundo atual se rendendo a essa conversa, o quanto Gilead não é uma ficção tão distante assim. A série desenvolve muito melhor os personagens de fundo, criando muitos outros que o livro original não tem e focando muito nas histórias de fundo.

O livro é uma obra de arte a temporal, a série é uma das mais pesadas, bem feitas e inesquecíveis que já vi, pelo menos em suas primeiras temporadas, ela segue o mesmo problema da maioria, devido ao dinheiro que rende, os produtores não souberam quando parar.

Porém, isso não muda o fato de ser uma obra que todos deveriam ver, pelo menos, todos aqueles que, assim como eu, tem notado como estamos nos tornando mais conservadores, que tem visto como a política dos Estados Unidos anda.

Quando alguém não conhece a história, está fadada a repeti-la, mas além disso, eu diria, que quando não se vê as críticas das artes, não se busca entender o quadro que os livros nos contam, podem deixar passar pistas do que está acontecendo agora no mundo. A arte imita a vida, a estuda, a analisa, então, muito mais do que assistir, reflitam sobre essa obra de arte.

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