POR QUE DEVEMOS LER ‘A REVOLUÇÃO DOS BICHOS’?

Uma das ferramentas mais poderosas da humanidade é o conhecimento. Por esse mesmo motivo, a elite sempre tentou se manter como detentora dos mais altos níveis de conhecimento, seja ele prático, teórico, político, social ou cultural, porque a maneira mais fácil de controlar as massas é lhes mantendo ignorantes. Se você não tem conhecimento de sua função social, sua classe, sua raça, seu papel de gênero, as aplicações de sua existência dentro da sociedade e do sistema econômico em que vivemos, você é facilmente engolido por narrativas falsas que só servem para manter o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre.

O capitalismo pode até passar a falsa sensação de liberdade e crescimento, mas nunca seremos livres sem possuir. O consumo é aquilo que move esse sistema, mantido pela exploração e com a plena função de acumulação pelos detentores da propriedade privada. Por isso, o tal do “fantasma do comunismo” assusta tanto a elite. Uma classe que só se mantém dentro de seu mundinho privilegiado porque existem pessoas dispostas a continuarem sendo exploradas e maltratadas por um sistema doente.

George Orwell sempre foi crítico ferrenho de sistemas totalitários e do capitalismo. O autor acreditava no socialismo e na democracia, fazendo críticas e sátiras ao Stalinismo, Nazismo e Fascismo em suas obras. No livro, ‘A Revolução dos Bichos’, Orwell usa do Stalinismo como inspiração para criticar como a política do partido traía os princípios da Revolução Russa de 1917 e as ideais socialistas que se pretendia instalar no império.

Publicado em 17 de agosto de 1945, o livro de 112 páginas conta a história de Major, um porco velho que, ao perceber estar à beira da morte, decide compartilhar com os outros animais da fazenda o sonho de serem governados por si mesmos. O porco ensina aos animais da Granja do Solar a canção ‘Bichos da Inglaterra’ (Beasts of England), uma música antiga sobre a filosofia do Animalismo, que exalta a igualdade entre os povos e a esperança de dias melhores.

Três dias depois, o velho Major chega ao óbito, mas suas ideias já haviam sido implantadas e, os astutos e jovens porcos Bola-de-Neve e Napoleão passam a se reunir de maneira clandestina para traçar seus planos de revolução. Sob seus comandos, os animais da fazendo passam a organizar-se para manter o controle da fazendo e conseguem expulsar os humanos dali, vivendo em harmonia aos Sete Mandamentos da Fazenda dos Bichos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais

Mas, como em todo sistema político, existe a rivalidade e a traição. Napoleão tem sede de poder e se vê como um grande líder, expulsando Bola-de-Neve da fazenda na primeira oportunidade que tem e tomando para si todo o poder. Suas ideias autoritárias logo começam a tomar forma e transformar aquilo que prometia ser um sistema em que todos são iguais e vivem em harmonia, em uma sociedade em que, aqueles que se julgam mais fortes ou mais inteligentes, pode subjugar aos outros.

‘A Revolução dos Bichos’ é um dos livros mais emblemáticos da literatura moderna, juntamente com ‘1984’, outra obra famosa de George Orwell, o livro crítica durante sistemas ditatoriais com uma linguagem mais acessível que pode ser facilmente entendida até por crianças mais novas. A importância de entender as nuances e críticas contidas dentro da história se dá ao encararmos como a mídia e as redes sociais têm moldado as novas gerações para compartilhar ideias cada vez mais conservadoras, liberalistas e exploratórias, que colocam em risco a manutenção dos direitos humanos, especialmente de minorias, como mulheres, negros, a comunidade LGBTQIA+, pessoas portadoras de deficiências, entre outros. Entender como os sistemas políticos, econômicos e sociais funcionam, estudar história, filosofia, sociologia e qualquer ciência humana e social nos permite enxergar como a elite nos oprime e explora, fazendo como que nos tornemos conscientes e revolucionários, não permitindo que esse sistema falido e cruel continue nos fazendo vítimas de nossa própria existência.

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