Quando eu era criança, era ainda mais devoradora de livros. Desde os meus quatro anos, quando comecei a ler os primeiros livros, eu vivia com a cara enfiada em qualquer revista, enciclopédia, gibi ou livro que eu achasse na minha casa ou na casa do meu avô. O hábito de ler era muito bem alimentado, tanto pela minha mãe que também adorava ler, quanto pela minha tia, que me presenteava sempre com aqueles livrinhos infantis. Dentre os livros que eu encontrei em casa e li há muitos anos está a obra de Maria José Dupré, “A Ilha Perdida”, um livro que ficou marcado em minha memória.
Apesar de adorar aventuras, eu sempre as vivi através das páginas de um livro – jamais teria coragem de ir em uma trilha e me perder em uma floresta, ou viajar pro meio do nada, onde não existe civilização – e este é um dos livros que me fazia viajar em uma jornada que misturava suspense, aventura e um olhar diferenciado sobre a natureza.
Maria José Dupré é um nome de peso na literatura nacional. A escritora, nascida em 1905, em São Paulo, é responsável por uma das maiores obras adaptadas pela televisão nacional. “Éramos Seis”, livro lançado em 1943, ganhou diversas versões, como a novela de Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho em 1977, pela TV Tupi. Seus livros ganharam destaque internacional, sendo “O Cachorrinho Samba” e “A Mina de Ouro” escolhidos pela UNESCO como como os Melhores Livros de Literatura Infantil em 1975.
O livro publicado em 1944 pela Editora Brasiliense, que Dupré fundou com o marido Leandro, narra a aventura de dois meninos: Eduardo (14 anos) e Henrique (12 anos), irmãos que foram passar as férias na fazenda de seus padrinhos, próximo a Taubaté. A propriedade ficava perto de um rio chamado Paraíba e, por lá, corriam boatos sobre uma ilha perdida e um monstro que habita o lugar, o que desperta a curiosidade dos meninos. Decididos a explorar o local, os dois vão escondidos em uma canoa e se deparam com a natureza selvagem, mas acabam se perdendo e Henrique descobre um eremita chamado Simão, que habita o local.
Cheio de suspense, a obra tem os ingredientes certos para prender o leitor neste mistério, independente da idade. Por se tratar de um livro infantil, ele não se propõe ser muito dramático ou sério, mas traz referências do Brasil da época em que foi escrito, além de ser uma ótima introdução para crianças que ainda não possuem a assiduidade da leitura. A história de aventura tem, ainda, o papel de reforçar o respeito pela natureza, pela amizade e aos povos que vivem isolados protegendo a fauna e flora local.

