Apesar de negar qualquer forma de romance na minha vida, eu escuto, leio e assisto muito romance. Gosto de ser uma contradição ambulante. Mas há beleza em sentimentos que parecem muito mais interessantes descritos em palavras ou traduzidos na ficção, do que vivenciar a realidade nem tão encantadora. É admirável ver aqueles que dominam tão bem o seu idioma que tornam qualquer situação poética, transformando um simples diálogo ou uma situação casual em música. Peninha, compositor da nossa escolha de Música da Semana, ao ouvir sua filha discutir ao telefone com o namorado, escreveu uma canção que, além de premiada, traduz bem o sentimento de enxergar que a pessoa amada talvez não saiba cuidar tão bem de seus sentimentos.
Ganhadora do Prêmio Sharp de Melhor Música de 1997, a canção “Sozinho” se tornou conhecida após a interpretação de Sandra de Sá, mas a sua fama atual se dá à interpretação de Caetano Veloso, em seu disco “Prenda Minha”, de 1998. A música foi incluída na trilha sonora de “Suave Veneno” (1999), levando o Troféu Imprensa daquele ano de Melhor Música.
A letra reflete o sentimento de estar em um relacionamento onde o outro lado parece não se esforçar tanto quanto você, te fazendo se sentir sozinho, solto demais e carente de amor. A ideia de querer estar o mais perto possível, mesmo que queira preservar a individualidade de cada um, compartilhar seus segredos, medos e desejos somente com aquele alguém especial, mas sentir que talvez essa pessoa não cuide tão bem de seu amor.
Por que você me esquece e some?
Sozinho – Caetano Veloso
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?
