Entramos no mês de outubro, aquele que pode ser lembrado por quatro coisas: a Prevenção ao Câncer de Mama, Nossa Senhora Aparecida, Halloween e o Dia das Crianças; isso se a gente não for falar do grande evento que se aproximas, as eleições federais. Mas como o clima está tenso entre os brothers, vamos deixar as coisas mais leves trazendo um livro que marcou um pedaço da minha infância. Além do incentivo da minha família, que sempre me presenteava com livros desde que aprendi a ler, a escola também tinha um papel muito importante na minha jornada como leitora. Na minha época de estudante de escola pública, tínhamos uma aula toda dedicada à leitura, íamos à biblioteca da escola, sentávamos em roda e todos liam juntos ao livro selecionado pela professora. Mas esta nem é a lembrança que trago hoje – na minha formatura do jardim de infância, antes de iniciar o ensino fundamental I, a prefeitura da minha cidade presenteou a todas as crianças que estavam se formando com três livros infantis que eu li inúmeras vezes desde então. Um deles, “Uma Velha e Três Chapéus”, nossa dica de leitura para o Mês da Criança.
O livro de Sylvia Orthof traz a história de três chapéus de vaqueiro que, com uma ventania daquelas, acabam cruzando o caminho de uma velha senhora e seu guarda-chuva. A velha saí voando com os chapéus, cruzando o país em muitas aventuras, sobrevoando o mar, as montanhas, o sertão, até que cada um segue seu próprio destino e resolve a própria vida. A narrativa divertida e lúdica brinca em como uma casualidade pode atrapalhar nossos planos, mas acaba trazendo uma nova perspectiva sobre nossas vidas, nos fazendo enxergar as coisas de um outro ângulo. Talvez essa mensagem não seja tão facilmente entendida por uma criança pequena, mas é curioso pensar que a velha, que planejava fazer pão de minuto e terminar seu casamento, tomou outra decisão quando a ventania e os três chapéus se colocaram em seu caminho e tornaram um seu dia um pouco mais aventurado.
O conto de 24 páginas foi ilustrado por Gê Orthof, publicado em 1986 pela editora FTD como parte da coleção Primeiras Histórias. A edição que li, foi ilustrado por Tato, em um estilo completamento distinto de Gê Orthof, mas que me passava uma vibe ainda mais sertaneja que combinava com os chapéus de lua, sol e estrela. O livro recebeu o Prêmio Origenes Lessa da LNLIJ em 1987 e se tornou uma leitura premiada e popular para o público infantil. Quando ganhei e li esse livro pela primeira vez, tinha apenas seis anos, mas ele acabou fazendo parte da minha vida por muito tempo, sendo passado para minha irmã mais nova e depois para a filha de um colega do meu pai – pois eu acredito que temos que continuar perpetuando nas crianças esse amor pela leitura para que as novas gerações não esqueçam das delícias de mergulhar em uma boa história.

