DICA: CENTRAL DO BRASIL

A arte serve também como bússola para não nos esquecermos do quanto caminhamos para que nosso país saísse de uma realidade onde a maioria das crianças morriam antes de completar cinco anos de idade, poucos tinham acesso ao saneamento básico e à energia elétrica, muitos analfabetos, pouco acesso à saúde de qualidade e difícil acesso ao transporte e locomoção. Direitos não nos são dados, lutamos para que hoje pudéssemos ter o mínimo, o básico para sobreviver – mas o ódio de muitas pessoas está o ponto de tirar cada uma de nossas conquistas.

Inspirado em histórias de um Brasil que passava por uma grave crise econômica nos anos 1990, Walter Salles, idealizou um dos filmes mais premiados e emblemáticos de nosso cinema. Produzido pela VideoFilmes e escrito por João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein, o longa-metragem “Central do Brasil” chegou aos cinemas de 3 de abril de 1998, trazendo a história de uma professora aposentada e um menino órfão que tiveram suas vidas cruzadas na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

Na trama, Dora (Fernanda Montenegro) é uma professora aposentada que mantém seu sustento escrevendo cartas para analfabetos na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Por perder a paciência com seus clientes, muitas vezes deixa de enviar as cartas, guardando as cartas em uma gaveta ou, até mesmo, as rasgando. Josué (Vinícius de Oliveira), um pobre menino de nove anos que nunca conheceu o pai, Jesus, vai com a mãe, Ana (Sôia Lira), pedir os serviços de Dora. No entando, quando a mãe de Josué deixa o local, acaba sendo atropelada por um ônibus e morre. O menino vê toda a cena e se vê desemparado e desabrigado, sem saber o que fazer em diante. Dora, temendo que algum de ruim aconteça com o garoto, decide ajudá-lo, levando-o para sua casa.

O porteiro de seu prédio, Pedrão (Otávio Augusto), a convence de vender o menino a Yolanda (Stella Freitas) e seu marido, que costumam traficar crianças e seus órgãos no mercado negro – ainda sem o conhecimento de Dora. Mas seu pressentimento a impede de deixar Josué com o casal, roubando-o de volta. Por não querer que o garoto se torne sua responsabilidade, Dora decide partir em direção ao Nordeste à procura do pai de Josué e os dois embarcam em uma jornada que escancara um Brasil precário e esquecido, mas que nos faz tem esperança de que ainda podemos encontrar alguma bondade nas pessoas.

A viagem dos personagens deia evidente o abandono das cidades, sem esperanças e sem perspectivas de mudança, mas que termina com uma busca por nossas raízes. Josué e Dora fazem o oposto da migração recorrente da época, em que as pessoas saíam do sertão do Nordeste em busca de condições e oportunidades melhores na regiões mais ricas do Brasil especialmente São Paulo. Um espaço urbano degenerado e violento contrasta com uma ideia de aconchego e acalento que uma fuga ao interior traria, desenvolvendo assim a história em que um garoto busca lar e identidade e, uma mulher que já perdeu a esperança na humanidade, tenta se reconectar com sua própria humanidade.

Assista ao trailer oficial:

Disponível na Netflix

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