Obsessão: Eu só queria abraçar a Nikki e dar um soco no Bear!

Com o orçamento de um engradado de cerveja e com um roteiro assustadoramente familiar para muitas mulheres, o diretor Curry Barker fez o melhor filme de suspense e terror do ano, uma daquelas obras que eu só verei uma vez, não por ser assustador demais, mas por ser real demais.

A história segue o pior ser humano da história, vulgo um homem médio, Baron “Bear” Bailey é aquele típico nerdola da “friend zone”, o cara que só faz amizades com mulheres bonitas porque acha que um dia elas vão dormir com eles.

O cara que sempre se chama de “cara legal”, mas que na verdade é um merda lotado de autopiedade sem nunca tentar melhorar como pessoa, enfim, esse filme me revolta em muitos níveis, então não esperem imparcialidade e podem contar com spoilers. O infeliz que além de tudo matou o próprio gato ao deixar uma caixa de remédio destampada onde sabia que sua gata alcançava.

Enfim, ele tem uma paixão por sua amiga de infância, Nikki Freeman e ambos trabalham juntos em uma loja de discos. Nikki é divertida, bonita, ela é apenas uma garota com um péssimo gosto para amigos que precisa urgentemente de um abraço.

Um dia Bear decide que quer se declarar para ela, graças a conselhos de outro idiota, o Ian, que não só é péssimo amigo para Nikki, como também para o Bear, já que ele o aconselha sabendo que Nikki não gosta dele dessa forma.

Porém, nosso protagonista é um covarde, que desiste no ultimo segundo de falar como se sente para Nikki, ao invés disso, esse projeto de demônio, faz um pedido com um Salgueiro dos Desejos, que promete realizar qualquer desejo que você faça, apenas um por pessoa, só fazer seu pedido e quebrar ele.

Ele, sem saber se aquilo é verdade, deseja que Nikki o ame mais que qualquer coisa no mundo, o que já mostra o psicopata que ele é, mesmo não sabendo que é verdade, a construção da frase que ele faz mostra o doente que ele é.

Mas, como podem imaginar, o salgueiro é real, o desejo dele é realizado imediatamente, porém, sem surpresa alguma, a Nikki que o “ama mais que qualquer coisa no mundo” não é a Nikki de verdade, sim uma versão endemoniada dela.

E enquanto ela a falsa Nikki tem atitudes mais estranhas possíveis, a Nikki real tenta desesperadamente mandar um recado pedindo ajuda do Bear para se libertar. Só que o infeliz, pedaço de merda do Bear, não a liberta imediatamente, se faz de sonso, e pior ainda, quando a nossa mocinha pede para ele matar ela, porque é melhor do que viver nessa prisão dentro de si mesmo, ele fica CHATEADO COM ELA, porque ela prefere morrer a ficar com ele.

Ele faz só escolhas IMBECIS, e os “amigos” da Nikki, se é que podemos chamar assim, mesmo conseguindo ver que claramente tem algo errado, não fazem nada, mesmo Ian, que vê que aquela não é a Nikki normal, e acha que ela está usando drogas novamente, não fazem nada para ajudar ela.

Enfim, a história é muito bem construída, é um filme meio independente que conquistou o mundo porque é real demais, é cruel demais. Ele é o exemplo perfeito de como eu enxergo todos esses caras que ficam reclamando de “friend zone”, todo mundo conhece um Bear, alguém que agiria exatamente como ele agiu, que faria tudo sobre si, quando tudo que a Nikki queria era se libertar da tortura que ela estava vivendo. Alguém que faria o mesmo desejo que ele, palavra por palavra.

Esse filme mexe com as mulheres de um jeito diferente, porque você consegue sentir o desespero da Nikki real, mas também sentir a intensidade da Nikki falsa, você consegue ver como ela é tratada por todos aqueles a volta dela como nada mais que um objeto, algo não humano, que não merece empatia. Eu nunca mais vou ver esse filme de novo, ele me fez passar muita raiva, mas também jamais irei esquecer essa obra prima, que mesmo sendo brutalmente honesta, cruel, e real, é sem sombra de dúvidas, o melhor filme do ano.

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