O CASO MATSUNAGA

Se você tem mais de vinte ano, deve lembrar de quando os notíciarios estavam reportando um caso que chocou o país. O herdeiro de uma das maiores marcas alimentícias do Brasil havia sido encontrado morto e esquartejado, seus restos mortais espalhados pela estrada, sem vestígios do assassino. O desfecho? Marcos Matsunaga, filho do então dono da Yoki, havia sido assassinado pela própria esposa, Elize Matsunaga. O crime aconteceu em Maio de 2012, na Vila Leopoldina, São Paulo, no apartamento que o casal morava com a bebê ainda bebê.

Marcos era um verdadeiro playboy. Rico, de família influente, tinha tudo que queria e sabia muito bem esbanjar. Não era um homem de negócios sério e preocupado com a empresa, como tentava se apresentar. Frenquentava boates, contratava diversas garotas de programa e vivia uma vida dupla entre um casamento que ele queria fugir e um “conto de fadas” com a jovem Elize, que facilmente se encantou pelo seu mundo.

Não podemos dizer que a versão dada pela assassina é 100% verdadeira, já que apenas tivemos acesso a uma parte da história contada por ela, enquanto o outro lado jamais será ouvido. O que sabemos foi dito por ela, seus advogados e todos os responsáveis pela investigação do caso, além de matérias jornalísticas e a série documental, o filme e livros sobre a história.

Em ‘Elize Matsunaga: Era Uma Vez Um Crime’, vemos Elize reviver o passado e contar seu lado da história em 4 episódios. A série dirigida por Eliza Capai foi lançada em 4 de julho de 2021, acompanha a condenada enquanto fazia suas saídas temporárias da cadeia trazendo detalhes sobre sua infância em Chopinzinho, Paraná, seu casamento conturbado e as tentativas de esconder o crime.

O caso voltou a ganhar notoriedade nas últimas semanas após o lançamento do filme ‘Elize: Sombras de uma Mulher’, onde Lorena Comparato interpreta Elize. O filme dirigido por Felepe Vellasco foi lançado na Netflix no dia 22 de julho, inspirado no crime que chocou o país, traz a trajetória de um casamento que, desde o início, parecia estar fadado ao fracasso. O longa tenta explorar a complexidade do caso, além das amarras psicológicas que o envolvem, sem servir como régua para dizer qual o lado certo da história.

Mas é muito difícil assistir tanto ao filme quanto a série, sem pensar em todas as dificuldades que as mulheres enfrentam em relacionamentos ao redor do mundo. Mesmo sem saber de toda a verdade, não é impossível se colocar no lugar de uma mulher que se sentiu usada, diminuída, explorada e ridicularizada em seu casamento, além de ter lidado com abusos na infância e mesmo na vida adulta. Elize fez uma escolha que mudou toda a sua vida, mas também a vida de sua filha. Até hoje, elas não têm contato uma com a outra e, talvez, a menina nem saiba da existência da mãe. A escolha de Elize fez com que a filha crescesse sem pai e mãe, mas ainda sem ter o feito, a menina poderia crescer sem um dos pais.

Uma das frases mais impactantes de Elize dentro do documentário é: “da cadeia você saí, do caixão não.” A frase é usada como justificativa de legítima defesa no caso, e seu impacto nos lembra que todos os dias mulheres são mortas por seus companheiros ou até mesmo por desconhecidos ou familiares pelo simples fato de serem mulheres. Se Elize fosse a pessoa morta naquela noite, talvez nunca teríamos ouvido sua história, mas ela escolheu não se tornar mais uma estatística e tornou um dos casos mais emblemáticos do Brasil, que divide a muitas pessoas até os dias de hoje.

Assista ao filme na Netflix

Assista a série na Netflix

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