X-MEN EVOLUTION E A SEGREGAÇÃO

Ser diferente sempre significou viver às margens da sociedade – seja por conta da cor da sua pele, sua orientação sexual, alguma deficiência física ou intelectual – não se encaixar dentro do padrão, torna sua vida mais difícil. Vivemos em uma época ainda mais sombria, onde, depois de termos conquistado tanto progresso, parecemos retroceder uns 100 anos. O eminente avanço da extrema-direita traz discursos muito perigosos sobre a liberdade de existir sendo uma minoria – e isso incluí você, mulher também. Eu não sou dona da verdade e nem da moral, mas escolho votar pelo bem coletivo e pela soberania do meu país, não me escondo e deixo claro o meu posicionamento: dia 25, vote pela democracia, pela soberania, pela nossa liberdade de existir, pelos direitos humanos, pelo SUS, pelo ProUni, pelo FIES, pela Universidade Federal, pela Farmácia Popular, o Bolsa Família, o Vale-Gás, Luz para Todos, Médicos sem Fronteiras e todos os programas que ajudaram o pobre a sair da miséria e do risco de morrer de fome, para poder sonhar, se educar e evoluir. Não se esqueça das 700 mil mortes na pandemia, não se esqueça a Fila do Osso, dos discursos contra o Voto Feminino, do rombo no INSS, das falas misóginas e racistas – lembre-se de quem erradicou doenças, te permitiu ter um diploma universitário, tirou o Brasil do Mapa da Fome e luta pelo Fim da Escala 6×1.

Cresci vendo histórias sobre opressão e exclusão, mesmo criança já tinha ciência de que nasci pobre e, sendo mulher, precisava lutar 10 vezes mais. Minha revolta em perceber desde cedo como o mundo funcionava nunca me permitiu estar do lado de quem permite que a distância entre nós seja cada vez mais, tampouco em aplaudir a exploração enquanto colocam um alvo em minhas costas. Tudo e qualquer coisa que consumi desde a infância pôde me permitir ter discernimento e a revelação de que, sem luta, nada é conquistado.

Um dos exemplos de desenho animado que já fazia as engrenagens do meu cérebro trabalharem foi “X-Men Evolution”. A trama, que gira em torno de humanos com habilidades sobre-humanas, nunca foi apenas sobre superpoderes e heróis e vilões. A narrativa tratava de segregação, preconceitos, violência e consciência política, tão quanto falava sobre a luta do bem contra o mal. Com 52 episódios divididos em quatro temporadas, a série animada baseada nos quadrinhos da Marvel, foi ao ar de novembro de 2000 a outubro de 2003 na TV estadunidense, distribuída pela Warner Bros.

Na trama, Professor Xavier cria um instituto para jovens mutantes , junto de Wolverine e Tempestade, afim de ensiná-los a controlar suas habilidades e escondê-las do resto do mundo enquanto tentam viver uma vida normal. Cada recruta treina com constância e comprometimento para aprender a ter responsabilidade, coragem e empatia, mesmo que toda a sociedade os trate como regenerados.

O movimento em torno dos mutantes era de exclusão. Cada cidadão comum temia os mutantes; eles eram tidos como seres perigosos, violentos e um risco para a sociedade. Apesar de ter habilidades incomuns não definirem seu caráter, os mutantes eram vistos como a escória da sociedade e não tinham seus direitos garantidos.

Basta mudar os nomes e ver que isso não se trata de heróis e vilões. Podemos usar a Irmandade e o Instituto Charles Xavier para descrever qualquer minoria existente em nossa sociedade. Basta uma crise econômica para questionarem os direitos civis das mulheres, dos negros, dos deficientes, da comunidade LGBTQIA+ e qualquer e toda minoria existente. Olhando para história e a entendendo, você enxerga que nenhum direito nos foi dado, lutamos por ele. Foi um caminho árduo e doloroso para que pudéssemos conquistar o pouco de dignidade que temos hoje em dia, e me dói saber que tem gente conspirando para acabar com todos eles da noite para o dia.

Existir é político. Não caía na falácia de quem política não é importante. Quando você nasce mulher, LGBTQIA+, negro, indígena, deficiente, quando se é imigrante, quando se é minoria – TUDO É POLÍTICO. Não deixe de estudar, de questionar e se informar sobre como cada coisa funciona dentro da política de nosso país e o que você pode fazer para garantir que seus direitos sejam respeitados e que nossa Constituição não seja substituída por uma na qual nenhum de seus direitos sejam garantidos e, talvez até legalizem que a escravidão, a violência e a exclusão social contra a mulher, um Estado forjado pelo Anticristo e pelo mal, que destrói a soberania do Brasil e mata a nossa democracia.

A série está disponível no Prime Video e espero que a semente da mudança e da revolução esteja florescendo dentro de todos nós.

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