13 Livros para você ler antes do dia 25!

Desde o último domingo, assim como muitas pessoas que também são pobres e minoria, estou perdida e tentando entender como as pessoas podem ver um candidato, cujo pai esta preso por tentar dar um golpe, dizendo com todas as letras que quer mudar a constituição e não ter medo do futuro?

Como as pessoas votam em uma deputada que é mulher, mas que não acredita em feminicídio? Como as pessoas votam em candidatos que receberam dinheiro de um banqueiro também preso? Como as pessoas votam em candidatos que únicos projetos envolvem tirar o direito de pessoas Trans? Como as pessoas votam em alguém que vai sem dúvida facilitar aos EUA acessar nossas terras raras?   

Mas esse texto não é para quem votou nesses candidatos, porque já se decidiram, é para aqueles que não votaram, para aqueles que justificaram, ou anularam o voto no último domingo.

A questão não é gostar do PT ou não, porque honestamente não gosto, acho que eles tem muito o que melhorar. Mas o fato é que os sinais estão todos ai, a perda dos nossos direitos, a perda da nossa democracia está a espreita, foi avisada, mas as pessoas ainda se fazem cegas aos sinais claro. Nos chamam de alarmistas, mas se esquecem do que aprenderam nas aulas de histórias. Bem, eu estudei em escola pública a vida toda e meus professores de história fizeram um bom trabalho.

Então, se você é um indeciso, que acha que seu voto não faz diferença, que acham que estamos sendo alarmistas demais, que não vê o perigo, esse post é para você. Essas 13 obras, de gêneros diferentes vão te ajudar a ver o que estamos vendo, leia e compare com a atualidade, veja os sinais, e vote. Entendo não gostar de política, mas a politica existe e esta em tudo. Não deixem que decidam o seu futuro por você, se informe e vote.

Sem mais delongas, seguem 13 obras para você ler antes do segundo turno, sinopses disponíveis na Amazon.

Como as democracias morrem

“Uma análise crua e perturbadora das ameaças às democracias em todo o mundo.

Democracias tradicionais entram em colapso? Essa é a questão que Steven Levitsky e Daniel Ziblatt – dois conceituados professores de Harvard – respondem ao discutir o modo como a eleição de Donald Trump se tornou possível.

Para isso comparam o caso de Trump com exemplos históricos de rompimento da democracia nos últimos cem anos: da ascensão de Hitler e Mussolini nos anos 1930 à atual onda populista de extrema-direita na Europa, passando pelas ditaduras militares da América Latina dos anos 1970. E alertam: a democracia atualmente não termina com uma ruptura violenta nos moldes de uma revolução ou de um golpe militar; agora, a escalada do autoritarismo se dá com o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas – como o judiciário e a imprensa – e a erosão gradual de normas políticas de longa data.

Sucesso de público e de crítica nos Estados Unidos e na Europa, esta é uma obra fundamental para o momento conturbado que vivemos no Brasil e em boa parte do mundo e um guia indispensável para manter e recuperar democracias ameaçadas.”

1964: O golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura militar no Brasil

“Os 50 anos do golpe abordados por dois dos maiores historiadores brasileiro da atualidade.

1964 traz panorama de como se instaurou a ditadura civil-militar no Brasil e seus desdobramentos. Pelas mãos de Jorge Ferreira e de Angela de Castro Gomes, é possível entender melhor esse conturbado período da história, que rendeu ao país duas décadas de repressão e tantas injustiças. Numa linguagem objetiva, sem exageros acadêmicos ou notas de rodapé excessivas, que tornem o texto menos atraente para o grande público, 1964  destaca personagens e momentos que marcaram o período, relembrando falas de personalidades e trechos de jornais que noticiaram o Golpe.”

Ideologia e feminismo: A luta da mulher pelo voto no Brasil (Clássicos brasileiros das Ciências Sociais)

“Esta obra reemerge como leitura essencial em um contexto de debates sobre direitos políticos e igualdade de gênero. Branca Moreira Alves resgata a trajetória que levou à conquista do voto feminino no Brasil em 1932, examinando as disputas jurídicas, políticas e ideológicas que marcaram o período. O livro não se limita à narrativa histórica: a autora oferece uma análise crítica da atuação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e suas lideranças, como Bertha Lutz, e revela as forças sociais e políticas em jogo. Pioneira e profundamente alinhada ao feminismo como perspectiva teórica, esta obra ilumina não apenas o passado, mas também as reflexões contemporâneas sobre a luta das mulheres por cidadania e representação política.”

Origens do totalitarismo

“Origens do totalitarismo tornou-se um clássico logo depois de sua publicação, e até hoje a obra é considerada a história definitiva dos movimentos políticos totalitários. Hannah Arendt primeiro elucida o crescimento do antissemitismo na Europa Central e Ocidental nos anos 1800 e prossegue com a análise do imperialismo colonial europeu desde 1884 até a deflagração da Primeira Guerra Mundial. A última seção discute as instituições e operações desses movimentos, centrando-se nos dois principais regimes totalitários da nossa era: a Alemanha nazista e a Rússia stalinista. Arendt considera a transformação de classes em massas, o papel da propaganda para lidar com o mundo não totalitário e o uso do terror como fatores essenciais para o funcionamento desse tipo de regime. E no brilhante capítulo de conclusão, ela avalia a natureza de isolamento e solidão como precondições da dominação total.”

O Segundo Sexo

“ Nesta edição mais do que especial, reunimos os dois volumes que compõem integralmente o ensaio de Simone de Beauvoir. Um estudo minucioso e bem-organizado que aborda grandes pensadores da filosofia ocidental, de santo Agostinho a Hegel, Lévi-Strauss e Merleau-Ponty, entre tantos outros, e que permeia os diversos campos do conhecimento – biologia, sociologia, psicanálise, história –, dando-nos um panorama completo da condição feminina na sociedade.”

Se a rua Beale falasse, A Capa Pode Variar

Version 1.0.0

“Lançado em 1974, o quinto romance de James Baldwin narra os esforços de Tish para provar a inocência de Fonny, seu noivo, preso injustamente. Livro que inspirou o filme homônimo dirigido por Barry Jenkins, vencedor do Oscar por Moonlight.

Tish tem dezenove anos quando descobre que está grávida de Fonny, de 22. A sólida história de amor dos dois é interrompida bruscamente quando o rapaz é acusado de ter estuprado uma porto-riquenha, embora não haja nenhuma prova que o incrimine. Convicta da honestidade do noivo, Tish mobiliza sua família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão.

Se a rua Beale falasse é um romance comovente que tem o Harlem da década de 1970 como pano de fundo. Ao revelar as incertezas do futuro, a trama joga luz sobre o desespero, a tristeza e a esperança trazidos a reboque de uma sentença anunciada em um país onde a discriminação racial está profundamente arraigada no cotidiano.”

O conto da aia

“O romance distópico O conto da aia, de Margaret Atwood, se passa num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. Uma das obras mais importantes da premiada escritora canadense, conhecida por seu ativismo político, ambiental e em prol das causas femininas, O conto da aia foi escrito em 1985 e inspirou a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original), produzida pelo canal de streaming Hulu em 2017. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado. A Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar, depois que uma catástrofe nuclear tornou estéril um grande número de pessoas. E sem dúvida, ainda que vigiada dia e noite e ceifada em seus direitos mais básicos, o destino de uma aia ainda é melhor que o das não-mulheres, como são chamadas aquelas que não podem ter filhos, as homossexuais, viúvas e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é mortífero. Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. Vencedor do Arthur C. Clarke Award.”

1984

Version 1.0.0

“Publicado em 1949, o texto de Orwell nasceu destinado à polêmica. Traduzido em mais de sessenta países, virou minissérie, filmes, quadrinhos, mangás e até uma ópera. Ganhou holofotes em 1999, quando uma produtora holandesa batizou seu reality show de Big Brother. 1984 foi responsável pela popularização de muitos termos e conceitos, como Grande Irmão, duplopensar, novidioma, buraco da memória e 2 2 5. O trabalho de Winston, o herói de 1984, é reescrever artigos de jornais do passado, de modo que o registro histórico sempre apoie a ideologia do Partido. Grande parte do Ministério também destrói os documentos que não foram revisados, dessa forma não há como provar que o governo esteja mentindo. Winston é um trabalhador diligente e habilidoso, mas odeia secretamente o Partido e sonha com a rebelião contra o Grande Irmão.”

Balas de Washington: uma história da CIA, golpes e assassinatos

“Balas de Washington – uma história da CIA, golpes e assassinatos , como explica o historiador e jornalista, Vijay Prashad, “foi escrito tendo em mente o processo chamado Semana Anti-Imperialista, um período de protestos convocado pela Assembleia Internacional dos Povos”. Uma síntese da longa história de lutas pela libertação dos povos e de assassinatos, golpes e massacres promovidos pelos Estados Unidos. Prashad observa a ascensão do imperialismo estadunidense depois da Segunda Guerra Mundial e a posição que ocupa, a partir daí, como centro, diante dos demais países imperialistas, organizados como raios, para conter o avanço dos processos revolucionários e a influência da União Soviética entre os países dependentes. Ao analisar a história a contrapelo, o autor configura a formação desses raios em uma verdadeira guerra entre classes: “Se os partidos dos operários e camponeses chegassem perto do poder ou se eles assumissem o poder, ou desafiassem o domínio dos imperialistas, teriam que ser impedidos ou expulsos dos cargos”. Esta é a síntese da história da guerra de classes até a atualidade.

As análises de Vijay Prashad sobre a participação dos Estados Unidos nos processos contrarrevolucionários, em todos os continentes, partem do período do final da Segunda Guerra Mundial, e alcançam os recentes golpes políticos no Brasil e na Bolívia. Uma obra para compreender e lutar contra as armas da dominação imperialista, mas com a força da imaginação poética dos povos rebeldes: “O mais bonito/para aqueles que lutaram/sua vida inteira,/é chegar ao fim e dizer: nós acreditamos no ser humano e na vida/e a vida e o ser humano nunca nos decepcionaram”. (Otto René Castillo)”

Petróleo e poder: O envolvimento militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico

“Em Petróleo e Poder — O Envolvimento Militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, Igor Fuser se debruça sobre a dimensão energética, numa abordagem que foge de tentações conjunturalistas animadas pela forte visibilidade do tema. Num percurso que incorpora a perspectiva histórica, o debate teórico e o processo que conduz ao intervencionismo nessa região, o autor nos apresenta uma análise extremamente elucidativa dos significados econômicos e estratégicos do petróleo na política externa estadunidense, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando o país assume explicitamente a posição de grande potência.”

A Extrema direita hoje

“Analisa a quarta onda da extrema direita pós-guerra, construindo um panorama que contempla a ideologia, os partidos e as lideranças da direita radical populista do século XXI.

Do capítulo 1 ao 5, o autor apresenta aspectos como a história, a ideologia, as causas – incluindo o papel da religião –, as subculturas, os principais líderes e as atividades mais características relacionadas à extrema direita. Em seguida, do capítulo 6 ao 8, o autor reflete sobre a inserção desses movimentos no contexto político das democracias ocidentais, observando como atuam na prática e no plano ideológico – por exemplo, ao defenderem pautas antifeministas ou contra os movimentos LGBTQIA+.”

Sobrevivi… Posso Contar

“Maria da Penha oferece sua história como uma forma de contribuir com transformações urgentes, pelos direitos das mulheres a uma vida sem violência.História que muito tempo depois a tornou protagonista de um caso de litígio internacional emblemático para o acesso à Justiça e para a luta contra a impunidade em relação à violência doméstica e violência familiar contra as mulheres no Brasil.”

Mulheres, raça e classe

“Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade. Davis apresenta o debate sobre o abolicionismo penal como imprescindível para o enfrentamento do racismo institucional. Denuncia o encarceramento em massa da população negra como mecanismo de controle e dominação. Dessa forma, questiona a ideia de que a mera adesão a uma lógica punitivista traria soluções efetivas para o combate à violência, considerando-se que o sujeito negro foi aquele construído como violento e perigoso, inclusive a mulher negra, cada vez mais encarcerada. Analisar essa problemática tendo como base a questão de raça e classe permite a Davis fazer uma análise profunda e refinada do modo pelo qual essas opressões estruturam a sociedade. Neste livro, tal discussão é sinalizada pela autora por meio de sua abordagem do sistema de contratação de pessoas encarceradas nos Estados Unidos, que já durante o período escravocrata permitia às autoridades ceder homens e mulheres negros presos para o trabalho, em uma relação direta entre escravidão e encarceramento como forma de controle social.Nesse sentido, mesmo sendo marxista, Davis é uma grande crítica da esquerda ortodoxa que defende a primazia da questão de classe sobre as outras opressões. Em ‘As mulheres negras na construção de uma nova utopia’, a autora destaca a importância de refletir sobre de que maneira as opressões se combinam e entrecruzam:As organizações de esquerda têm argumentado dentro de uma visão marxista e ortodoxa que a classe é a coisa mais importante. Claro que classe é importante. É preciso compreender que classe informa a raça. Mas raça, também, informa a classe. E gênero informa a classe. Raça é a maneira como a classe é vivida. Da mesma forma que gênero é a maneira como a raça é vivida. A gente precisa refletir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero, de forma a perceber que entre essas categorias existem relações que são mútuas e outras que são cruzadas. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras.A recusa a um olhar ortodoxo mantém Davis atenta às questões contemporâneas, que abarcam desde a cantora Beyoncé à crise de representatividade. A discussão feita por ela sobre representação foge de dicotomias estéreis e nos auxilia numa nova compreensão. Acredita que representação é importante, sobretudo no que diz respeito à população negra, ainda majoritariamente fora de espaços de poder. No entanto, tal importância não pode significar a incompreensão de seus limites. Para além de simplesmente ocupar espaços, é necessário um real comprometimento em romper com lógicas opressoras. Nesse sentido, acompanhar suas entrevistas é fundamental.Davis traz as inquietações necessárias para que o conformismo não nos derrote. Pensa as diferenças como fagulhas criativas que podem nos permitir interligar nossas lutas e nos coloca o desafio de conceber ações capazes de desatrelar valores democráticos de valores capitalistas. Essa é sua grande utopia. Nessa construção, para ela, cabe às mulheres negras um papel essencial, por se tratar do grupo que, sendo fundamentalmente o mais atingido pelas consequências de uma sociedade capitalista, foi obrigado a compreender, para além de suas opressões, a opressão de outros grupos.”

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