Um dos assuntos mais comentados dentre os tópicos políticos em 2026, é a situação das mulheres no Afeganistão. Durante a década de 1970, as mulheres afegãs viviam um momento de relativa liberdade e modernização, com a conquista do direito ao voto, elas frequentavam as universidades, ocupavam cargos de alto escalão e vestiam-se com roupas ocidentais. Embora essa tal liberdade estivesse restrita aos centros urbanos, já era uma grande vitória às mulheres afegãs. O que acontece hoje no país é um total retrocesso. Desde o regime imposto pelo Talibã em 2021, todos os direitos das mulheres afegãs foram tirados, pouco a pouco, até que elas não pudessem ao menos falar livremente.
Como bem dizia Simone De Beauvoir: “Basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.”
Não é algo exclusivo às mulheres afegãs. Todo o sistema capitalista está em colapso e a sociedade exige uma ruptura, mas, a elite não está disposta a ceder e por isso usa do totalitarismo, por meio de movimentos de extrema-direita, para manipular a opinião pública, instaurar o medo e a divisão entre a classe trabalhadora e impedir que conseguimos eclodir uma nova ordem mundial.
Um dos filmes que mais me assustou sobre a possibilidade de perder a nossa liberdade também retrata o que as mulheres afegãs encaram diariamente, onde a possibilidade de sobreviver sem ter um homem por perto para garantir algum acesso à alimentação e segurança, é impossível. Em “A Ganha-Pão”, Parvana, é uma menina de 11 anos que precisa fingir ser um menino para sobreviver ao regime Talibã.
Toda a história se passa em 2001, quando o grupo tomou o poder do país pela primeira vez. É nessa época que os direitos femininos são tirados pela primeira vez. Parvana é filha de um escritor e professor, por isso teve melhor acesso à educação, mas, com a prisão de sua pai, vê seu direito de andar livremente deixar de existir. Às mulheres cabe somente o papel de procriar e obedecer.
Quando seus pais são impedidos de exercer suas profissões e manter o sustento da família, a menina vê o pai ser preso e o irmão ser morto na mina em que trabalhava, sendo obrigada a assumir a responsabilidade pela sobrevivência da família. A única saída encontrada pela menina é fingir ser um menino e lutar para garantir alimento e proteção ao seu lar.
Dirigido por Nora Twomey e escrito por Anita Doron e Deborah Ellis, o filme estreou em 8 de setembro de 2017 no Festival Internacional de Cinema de Toronto. O longa está disponível para assistir no catálogo da Netflix.
Assista ao trailer oficial:
